Previna Doenças Crônicas Não Transmissíveis com a Dieta dos Alimentos Primários


No Brasil, 72% das mortes anuais são causadas por doenças crônicas não transmissíveis, como o câncer, diabetes, doenças respiratórias e cardiovasculares. (MALTA et al., 2011)


Essas doenças não escolhem camada social , ainda que atinjam boa parte das classes menos favorecidas.

Os gastos com doenças crônicas que poderiam ser utilizados para as nossas escolas, educação, lazer e esporte são muito altos e geram um círculo vicioso com a pobreza, impactando profundamente a situação macroeconômica de países de baixa e média renda como o Brasil.

Mas de tudo isso, tem uma questão que continua sendo deixada no banco de trás dessa kombi chamada evolução social. Por isso eu resolvi trazer esse assunto à tona em nosso blog: 80% dos caso de DCNTs provavelmente poderiam ser evitados com atividade física e hábitos alimentares mais saudáveis.

Note porém, que eu mesmo, a poucos dias atrás, postei uma foto em que eu comia um hambúrguer, mais batatas fritas, que formaram um lanche de quase dois quilos e meio compondo um total médio de 5900 calorias! Um desafio maravilhoso, mas que representa uma atitude que vai completamente contra ao que poderíamos chamar de hábito saudável. Mas como é possível que apesar de experiências como essa, eu ainda consiga manter todos meus marcadores de saúde em dia, sistema imunológico forte, percentual de gordura abaixo de 10%, e satisfeito com minha composição corporal e condicionamento físico? 

Acho sim que vem de algum conhecimento e experiência com jejum intermitente e desafios de comida, conhecimento de minhas necessidades de macro e micro nutrientes, moderação nos dias pré e pós o evento atípico, e principalmente algo que eu chamo de:

Dieta dos Alimentos Primários

Se pelo menos todos comessem lanches gigantes, poderíamos explicar tantas doenças crônicas. 

Mas o que percebo é que de fato as pessoas ao meu redor se quer fazem estripulias como as minhas, e daí fica a pergunta:

Como é possível que a comida, algo que serve para nos nutrir, nos dá energia para seguirmos fortes no nosso dia a dia, possa ser a razão de tanta morte e destruição?

Eu não quero simplificar a resposta e dar para vocês uma série de possíveis evidências científicas que provem que está tudo relacionado às mudanças de nossas necessidades básicas, inclusive a comida, mas eu vou ficar muito feliz se puderem parar para pensar que na verdade o nosso corpo, a pele que habitamos hoje, segue com a mesma estrutura de funcionamento há no mínimo 10 mil anos, nossa espécie Homo Sapiens está por aqui de fato há 150 mil anos, e o que mudou? 

Se analisarmos o últimos dois mil anos, nossa comida mudou muito, o ar que respiramos mudou, a água que bebemos mudou! Em dois mil anos mudou tudo, em 500 anos mais ainda, e nem precisamos de muito... Nos últimos 300 anos foi se modificando exponencialmente, e o que dizer então da Revolução industrial até os dias atuais?

A água já não vem de fontes naturais direto para nossos copos. Filtrada, fica exposta s falhas de processamento, pode receber enriquecimento indevido e contém cloro. Essa é a mesma água que você utiliza para tomar banho, e a mesma água que você compra por preços exorbitantes sem perceber (uma garrafa pode custar mil vezes o valor que você pagaria por um copo de água filtrada em casa)!  Isso, sem falar dos riscos de estar contaminada por BPAs e outras substâncias químicas que podem estar presentes nas embalagens.

O ar que respiramos, bem, temos que lidar com poluição, agentes químicos, pesticidas e até mesmo o tal do metano proveniente de fontes naturais. Nossas vaquinhas sozinhas emitem mais gás carbônico do que todos os carros, motos e aviões de nosso planeta (pelo menos é o que esse estudo aqui aponta).

E a comida? Nossa comida passou por um processo de industrialização completo. Desde muito jovens, somos costumeiramente educados a comer de maneira que atenda o nosso paladar, e não sei o de vocês, mas meu paladar foi condicionado por muitos anos a gostar de sabores cada vez mais intensos, e a aparência dos alimentos também contribuiu muito para isso . Alimentos que se tornaram cada vez mais coloridos, chamativos e fofinhos, ou seja,estamos expostos engenharia de alimentos.

Estamos todos expostos ao que gosto de chamar de QRAC, substâncias que “quebram” nossos corpos de todas as maneiras possíveis.

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Aditivos Químicos que nos expõem a um balde de doenças! Longe de mim entrar nesse assunto chato de apontar o que faz bem e o que faz mal 

Produtos Refinados que tornam muito mais fácil comer um saco inteiro de pão de forma, do que 1 kg de batata doce; muito mais fácil você comer 300 g de cookies de aveia, do que 300 g de aveia.

Aditivos como sal e açúcar que nos convidam a comer cada vez mais. E ainda nos tiram o prazer que teríamos em comer alimentos menos intensos, como uma maçã, uma porção de arroz, ou aquela saladinha sem tempero.

E finalmente os Conservantes que de fato estão ali apenas para conservar e o alimento mesmo, porque a nossa saúde... Diga-se de passagem que se o alimento é capaz de sobreviver em uma prateleira por três meses, o quê vamos falar das substâncias desconhecidas que fazem parte do mesmo e que podem se acumular dentro do nossos corpo para a vida toda. Como? Pergunte ao seu fígado e sistema digestivo, mas essa é outra história!

Para ser bem sincero, fazem mais ou menos dez anos desde que comecei a me preocupar e procurar uma solução para tantas dúvidas e tentações, afinal de contas, é muito difícil se acostumar a comer brócolis, quando ao seu lado todos querem mesmo é comer uma bela fatia de torta de chocolate que lembra mais aquele bolo do filme da Matilda.

Eu experimentei diversos estilo de alimentação, desde dietas voltadas para o paleolítico, low carb, Ornish, Atkins, cetogênica, Whole30 e dieta da zona, assim como me mantive vegano por alguns meses, vegetariano por quase um ano, e depois de muito muito rodar, e desistir de todas elas, comecei a reparar que sim, existem muitas semelhanças entre todas essas dietas e estilos de vida, sejam elas extremistas ou não.

Depois de notar que não conseguia me manter “fiel” a elas por mais de alguns meses e que todas são sim muito, muito eficazes por períodos específicos de tempo, eu acabei me adaptando e criando um estilo muito próprio de alimentação. Algo que não depende de nutricionistas e especialistas, me traz excelentes resultados, e me dá a chance de aproveitar mais de “comidas conforto” aqui e ali.

Minha Dieta Primária

A dieta primária é meu estilo de alimentação. Eu basicamente me alimento 80% a 90% do tempo de alimentos primários. 

Mas o que seria um alimento primário?

Alimentos primários são aqueles que não possuem ingredientes, são o alimento por si só.

Alimentos que também dão prazer em comer, deixam você satisfeito após a refeição e nos deixam mais fortes na hora de bater aquele PR na academia.

Para entender os alimentos primários, eu acho que seria interessante primeiro, apenas revisar os três grupos principais de alimentos que comemos: Os carboidratos, proteínas e gorduras.

Levando em conta essa ideia de alimentos primários, os carboidratos poderiam ser alimentos como batata-doce, brócolis, aveia, feijão, espinafre, iogurte caseiro, etc.

Levando em conta o mesmo conceito,  as proteínas poderiam ser carne, peixe, frango, ovos, etc.

E para as gorduras, seguindo o mesmo princípio, azeite de oliva, pasta de amendoim, ghee, óleo de coco, amêndoas, sementes e por aí vai.

Ou seja, ao invés de ter que ficar explicando o que não é refinado, industrializado ou processado, vamos apenas nos atentar aos alimentos primários.

A simples estratégia de comer mais alimentos primários e se conter diante de alimentos que contenham um monte de ingredientes, refinados, processados e industrializados, pode diminuir em grande parte o nosso consumo calórico, ao tempo em que aumenta a nossa ingestão de nutrientes.

Nutrientes esses que vão nos ajudar não só a nos sentir mais saciados, assim como podem restabelecer respostas e atitudes que temos perante um ou outro alimento; estimular uma saciedade diferenciada e mais prazer ao comer itens comuns do nosso menu cotidiano.

Todos podem se beneficiar de um acompanhamento com um nutricionista, assim como de técnicas mais elaboradas, mas essa simples mudança pode trazer grandes resultados para muitos de nós.

Força. Foco no Prato. E Alegria na Mesa.